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Depois de você, me quero de volta

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Vida normal. Com ou sem adrenalina? Sei lá, mas de uns tempos e umas pessoas pra cá tudo se tornou mais calmaria. Sem grandes agitações e calos no coração, o que por um lado é muito bom. Mas por outro. Não sei, não. Enfim, todo aquele choro, aquele luto, nossas brigas, idas e despedidas. Tudo ficou num passado de um ano atrás.

Antes eu fechava os olhos cheios de olheiras e ainda queria nós dois, apesar do seu descaso e vácuos. Andava pelas ruas, ansiosa por sentir seu cheiro, mesmo que fosse emprestado em outras peles que jamais toquei. Mantinha meu rosto sem maquiagem alguma, pois de que adiantava me arrumar tanto se logo quando chegava em casa me jogava no sofá e me desfazia em lágrimas? Não queria mais saber de ninguém, nem de mim mesma. Que fase!

Depois, o tempo foi tomando conta do meu tempo. Fui me ocupando dos meus estudos, meu novo trabalho e aqueles gatos pingados dos amigos mais chegados. Os mesmos que quando você saiu pela porta principal da minha vida, deixando rastros firmes de quem a gente era no meu coração, não arredaram o pé e nem os olhos do meu quarto. E lá fizeram até acampamento. Tiveram seus ombros inundados dos meus choros e os ouvidos entupidos dos meus lamentos. Que momentos!

Meu relógio, aquele mesmo que sempre reclamei que demorava pra passar só pra gente se ver e eu te ter, passou a trabalhar a meu favor. Quem diria! Meus olhos que eram fundos e perdidos sem você bem no começo do nosso término mudaram de intensidade e começaram a mostrar vivacidade. Os mesmos que antes preferiam te fitar e admirar, e que hoje amam ver o sol e sentir o vento fazer carinho no meu cabelo, com toda a sua doçura e respeito. Essa parecia eu? Não mesmo. Sempre reclamei de qualquer corrente de ar que desmanchava minha franja caída de lado. Como mudei. E arrisco dizer, pra melhor. E sem você. É estranho, às vezes, confesso. Porque virávamos noites planejando um futuro juntos. Mas veja só, você nem quis ser meu presente, por isso já vou parar agora mesmo de querer reclamar com minha sorte. A mesma que levou pra bem longe alguém que pelo jeito nunca quis realmente ficar e me amar.

Fiquei sabendo que você sente minha falta. Que quando vai se apresentar com sua banda pelos bares da nossa cidade preferida ainda toca a nossa música. E todos percebem um clima diferente em você quando perguntam de nós. Você suspira e se vira dizendo: "Não vejo mais ela". Sabe, preferi assim. Evitar te encontrar ou esbarrar. Até porque foi assim que a gente se conheceu. Você derrubou meus livros e minhas estruturas com seu jeito desgovernado, seu sorriso torto e seu olhar aberto. Mas chega de falar de passado, vou focar no hoje.

Sábado. 10 horas da noite. Faltam apenas alguns minutos pra galera passar aqui em casa e a gente partir rumo a uma noite sujeita a qualquer surpresa. Fui me olhar no espelho e, de repente, senti falta de você em mim. Saudade chata e desnecessária a essa hora. Saudades de sentir o peso do seu corpo no meu ombro, quando você me cobria com seus braços. Saudades dos seus abraços, do meu lar que éramos nós dois e mais nada. É melhor reconhecer e ter essas lembranças do que nunca ter amado e sido amada. Eu fui, mas você se cansou de continuar quem já éramos.

Sabe, não tenho ideia do que e nem de quem me espera. Se dessa vez vou encontrar alguém que não me surpreenda me deixando pra trás com todo um sentimento tão vivo e latente no peito, e que de uma hora pra outra preciso me desapegar e matar cada gota desse amor. Sobrando só dor e uma vontade enorme de nunca ter conhecido quem no começo seria minha cura e que depois me fizesse me sentir uma burra. Não sei se te conhecia ou se você disfarçava tão bem quem era. Não sei e acho que nunca vou saber. Mas que diferença faz isso agora também?

Só sei que com uma decepção vem muitas lições. E uma delas é justamente não se esquecer de que antes, durante ou depois de qualquer amor a dois, temos e precisamos do amor-próprio. Sinceramente, só fui encontrar o meu faz pouco tempo, quando me olhei no espelho e muito antes de sentir falta de você, senti uma falta enorme e imensurável de mim mesma.


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