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In(dependente)

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Nem faz tanto tempo assim, só saia de casa se fosse acompanhada. Só ia pra outro lugar, seja uma sorveteria, um shopping, uma lanchonete ou até à esquina, se tivesse alguém ao lado. Parece que as minhas vontades e passos só existiam se já existissem em outra pessoa.

É como se a minha felicidade fosse apenas um reflexo do bem-estar do outro. Como se o sentido da minha vida fosse fazer sentido na vida de quem me cercava, mesmo que não fosse pra me deixar feliz. Nem muito, nem pouco. Pegava minhas fotos e via o meu rosto cercado por tantos outros à minha volta. Faces decoradas por risos e vida, enquanto meus olhos eram pequenos e murchos. Dizem que os olhos são como a janela da alma, não é? Foi aí que senti a minha doer. Aquela não era eu. Podia até parecer, mas não era.

Minha aparência só camuflava minha essência. Alguns daqueles que considerava essenciais não se importaram em machucar meu coração, enquanto transbordavam os próprios. Fui ficando mais quieta, mais reclusa e, por incrível que pareça, menos confusa. Minha infelicidade existia por eu depender de quem não dependia de mim.

Ainda estou aprendendo. Não é porque minha ficha caiu, ou melhor, despencou, que hoje sei perfeitamente o que fazer da minha vida e como não cair em novas ciladas disfarçadas de abraços demorados, compromissos marcados, bem vividos, cumpridos e até fotografados. Um pouco longe disso. Todo dia é diferente. Tem dias que caio, tem outros que sento e penso, e mais dias em que me levanto, depois de um leve acesso de raiva, claro. Afinal, sou ser humano. E parei de sempre guardar e empurrar pra dentro de mim o que dá muito bem pra expulsar pra fora. E se precisar chorar, chora. Só não vai depender de outro coração pra fazer o teu feliz.

A gente é tão igual, ao mesmo tempo que é tão diferente. Tem gente que se mascara, e tem gente que só se deixa ser. Gosto muito mais desses segundos, mas às vezes ainda me aproximo desses primeiros que, por costume ou por uma torta e falsa proteção, não relaxam e nem permitem a própria alma apenas ser, sorr(ir) e respirar.

Tem gente de todo tipo. E tem a gente, que ainda reluta em ser gente e, mesmo com tanta decepção, ainda tem esperança. Mas se for esperar, espere mais de si mesmo e NADA do outro. Difícil? Sim. Mas pratica, que um dia acaba virando rotina.


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