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Se reaproxima de você, e se afasta dessa solidão

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A vida dela sempre foi uma montanha-russa. De pessoas. De emoções. Sua vida parecia uma lua, de tão cheia de fases. Numa, se via sempre acompanhada e procurada por aqueles que chamava de amigos. Em outra, conseguia escutar o eco da própria voz por onde passava, pois ali só tinha sobrado ela. Todos sumiram por um tempo ou se foram pra nunca mais voltar.

Por vários momentos chegava a se perguntar se o erro estava nela. Em outras vezes, automaticamente se culpava pela solidão. O celular não mais tocava, anunciando uma nova mensagem ou uma ligação. Tudo era silêncio. Na casa, lá fora e no próprio coração. A vontade de chorar vinha sempre quando parava pra pensar e remoer a própria situação. Onde estavam todas aquelas pessoas que diziam tanto gostar dela? Onde foram parar aquelas outras que riam com ela e a convidavam pra uma festa ou um churrasco na casa de um deles? Por mais que todos os demais sumiam, ela permanecia ali. Quieta, pensativa, triste e negativa.

Foi num sábado à noite, quando a chuva caia tranquila lá fora e servia como trilha sonora, que desligou o computador, deixou um pouco de lado suas séries e livros pra pensar em si mesma. Pra analisar seu presente e relembrar do passado. Por vários minutos sentiu o peito arder de saudades. Das companhias que tinha no dia a dia, dos planos para o fim de semana em grupo, das viagens e dos tantos lugares tantas e tantas vezes compartilhados. Só coisas boas. Mas quando tentou se recordar de quem segurou suas mãos ou apareceu de supetão, e sem pedir, nos momentos difíceis e ruins de viver que acabou tendo um clique: somente um ou dois dos quase 10 não arredaram o pé, nem quando chovia na sua vida muito menos quando fazia sol.

Por várias vezes, naquela mesma noite, se chamou de burra, tola, cega e perdida. Mas estava muito enganada, pois foi justamente naquele momento que finalmente se re(encontrava). Por tempo demais tinha se alojado e refugiado na solidão, por achar que ninguém mais a queria por perto ou que alguém valia a pena a ponto de abandonar a zona de conforto que havia se acostumado a morar, do que voltar a abrir o coração pra si mesma. Pois bem antes de querer cuidar e amar um outro alguém, seja na amizade, seja no amor-amizade, precisava retornar a se olhar no espelho e conseguir enxergar em si sua própria felicidade, parando de sempre precisar de alguém que a puxasse e dissesse o quanto era especial e única.

Passou a sair mais, caminhar, sorrir, cantar e até a tentar. Arriscar primeiro e perguntar depois. Passou a viver mais na própria companhia do que eternamente depender do outro pra respirar e ser. Aos poucos, mas bem aos poucos, uma pessoa aqui e outra ali se aproximava dela. Ela, por sua vez, não mais fugia ou já se afastava, só que também não era qualquer um que aceitava ao lado, pois agora aprendia a peneirar quem lhe fazia bem e quem não lhe fazia nada. Quem realmente queria ficar e quem, na primeira chance e dificuldade, lhe viraria as costas e a atenção.

O resultado ela ainda continua descobrindo. Mas pelo menos as decepções e expectativas alheias diminuíram. Se cobra algo de alguém agora é somente de si mesma. E com moderação. Afinal, se o outro tem defeitos ela tem perfeita noção de que também é imperfeita. Cada vez mais, gosta de si assim: tortinha, atrapalhada, mais decidida, de sorriso e choro fácil, amante da chuva e da natureza e da leveza da alma, mais amor acumulado e um espaço cada vez mais reduzido para a dor ou o rancor. Aprendiz.

Sabe, às vezes a gente precisa de uma solidão dolorida, inesperada e "forçada" pra encontrar o próprio caminho. Pra se forçar a olhar mais pra si e esperar menos dos outros. A depender mais de quem é e ainda pode ser, do que toda hora aguardar por um elogio ou um sinal de vida alheio. É muito bom rir a dois, a três ou em quantos for, mas o importante ainda é rir de si mesmo e achar graça em algo que só você vai entender. Sei que dói ser esquecido e ser feito de bobo, porém é bem pior continuar com pessoas que não são sinceras com a gente, muito menos sabem ser companheiras e leais, tanto nas risadas quanto nas lágrimas. Por favor, te peço: se reaproxima de você e vai se afastando dessa solidão. Ela não tem que vir e durar, ela tem que vir e te curar.


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